Neste mês vamos falar um pouco sobre peelings químicos, pois é agora, no inverno, a época mais recomendada para este tipo de procedimento estético que, quando bem indicado, pode melhorar muito o aspecto e a “qualidade” da nossa pele. . . O peeling químico consiste na aplicação tópica de determinadas substâncias químicas capazes de provocar reações que vão desde de uma leve descamação até necrose da derme, com remoção da pele em diferentes graus. Isso significa que haverá descamação e troca da pele, atuando no tratamento de manchas, acne e envelhecimento cutâneo. Quando bem indicado o peeling pode promover resultados excepcionais, principalmente no fotoenvelhecimento. O peelings químicos ser realizado preferencialmente no inverno, para que o excesso de sol e o calor não atrapalhem na recuperação da pele.

Os peelings, pela capacidade de trocar a pele, são utilizados para o tratamento de algumas alterações, como: manchas de sol, melasma e acne. Ele também é capaz de melhorar as cicatrizes e o envelhecimento da pele, pois renova as células, melhorando a flacidez e as rugas.
Os peelings químicos também podem ser feitos no corpo, como: pescoço, colo, braço e mãos, respeitando as restrições e características de cada local. A pele do corpo tem maior dificuldade na cicatrização e podem ocorrer mais complicações. Os peelings são classificados, conforme a sua capacidade de penetração superficial, médio e profundo. Esse critério, porém, não é absoluto, pois o mesmo agente e concentração poderão ser superficiais para uma pele grossa, sem preparo, e médio para uma pele mais fina, muito preparada.

Peeling superficial

Age na epiderme, que é a camada mais superficial da pele e não apresenta grandes problemas após sua aplicação. Pode ser realizado com as seguintes substâncias:

  • Ácido retinóico
  • Ácido glicólico
  • Ácido tricloroacético
  • Ácido salicílico
  • Pasta de resorcina

Peeling médio

Provoca destruição dos tecidos, removendo parcial ou totalmente a epiderme, atingindo o nível da derme papilar. Apresenta poucos riscos e complicações. Pode ser realizado com os seguintes ativos:

  • Ácido glicólico 30 a 50%
  • Ácido Lactico 30 a 50%
  • Ácido tricloroacético 35% + Solução de Jessner
  • Ácido tricloroacético 35% + Ácido glicólico
  • Ácido pirúvico 60 a 90%

Peeling profundo

Destrói totalmente a epiderme e sua profundidade atinge até o nível da derme reticular. Apresenta riscos maiores de complicações, como hipocromias (manchas claras), hipercromias (manchas escuras), cicatrizes. Pode ser realizado com substâncias como:

  • Ácido tricloroacético 50%
  • Fenol (fórmula de Baker).

A indicação é a questão mais importante na realização do peeling químico e cabe ao médico, com sua experiência, analisar o tipo de pele, o tipo de lesão e o procedimento a ser utilizado. A pele do rosto, devido à presença maior de folículos sebáceos, se regenera facilmente, pois esses folículos agem como unidades de reserva importante essencial para a cicatrização. O paciente, por sua vez, deve entender o processo, conhecer seus passos, limitações, duração da recuperação e ter uma expectativa real do resultado esperado.
Os pacientes de pele clara (louros, morenos-claro) são os que tem menor risco de hiperpigmentação ou hipopigmentação, mas as de pele morena também podem ser submetidas a esses procedimentos, porém o preparo da pele deve ser mais longo e os cuidados posteriores maiores.

Preparo da pele

É uma medida fundamental para o bom resultado de um peeling químico. Pode ser feito num período de alguns dias ou até semanas antes do peeling, no qual se promove a “preparação” da pele, incluindo hidratação, fotoproteção, eliminação de manchas preexistentes e diminuição suave da espessura da camada córnea, que é conseguida com a aplicação de cremes à base de ácidos, hidratantes e despigmentantes. Ácidos como o retinóico em baixas concentrações melhoram a capacidade de cicatrização, pois aumentam a proliferação de queratinócitos, provocam angiogênese e neocolagênese (proliferação de vasos e colágeno, respectivamente). A hidroquinona ou outros despigmentantes ajudam a dimimuir a capacidade responsiva dos melanócitos, sendo essencial para evitar a hiperpigmentação pós-inflamatória (manchas escuras).

Pacientes com história prévia de infecção pelo vírus do herpes, deve ser medicado com antivirais antes da realização de peelings médios ou profundos, que deve ser continuado por até dez dias após o procedimento. Isso é necessário devido à grande agressão a qual a pele é exposta, facilitando a proliferação viral. Os peelings superficiais, em geral, são realizados com intervalos que variam de uma a três semanas, numa série de 5 a 6 peelings. Eles são aplicados no rosto limpo e desengordurado, e o tempo de permanência depende do tipo de peeling aplicado.

Sua indicação é para rugas muito suaves, manchas superficiais da pele, acne leve e fotoenvelhecimento leve. Essas informações, a meu ver, são bastante relevantes e importantes para que os pacientes possam “entender” melhor o processo a que estão sendo submetidas e com isso colaborar mais com o tratamento pois, sem a colaboração das pacientes, esses métodos não costumam apresentar resultados muito expressivos. . .

Obrigado e até a próxima,
Dr Fabrício Lamy